mãe dando mamadeira para bebê

Refluxo em Bebês: causas, sintomas e cuidados - guia completo

Escrito por: Isabela Barros

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Tempo de leitura 3 min

Refluxo em Bebês: O que é normal, quando preocupar e como ajudar

O refluxo gastroesofágico (RGE) é a volta do conteúdo do estômago para o esôfago, podendo ou não sair pela boca. Nos bebês, isso é quase sempre fisiológico, ou seja, normal do organismo, principalmente até 4-6 meses e, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, costuma melhorar até 12-24 meses.

Como saber se o bebê está com refluxo?

Quase todos os bebês têm pequenas regurgitações, e isso, por si só, não significa doença. Assim, considera-se normal quando:

  • Regurgitar pequenas quantidades após as mamadas;

  • Não ter dor importante;

  • Crescer e ganhar peso bem;

  • Ser um “vomitador feliz”, ou seja, regurgita, mas continua bem e tranquilo.

Quando o refluxo vira doença (DRGE)?

Chamamos de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) quando o refluxo passa a causar desconforto importante, com dor, dificuldade de ganhar peso ou complicações.
É nessa situação que precisamos investigar e acompanhar mais de perto.

Sinais que podem indicar DRGE (Estes exigem avaliação médica)

  1. Choro intenso e irritabilidade persistente

  2. Sono muito agitado

  3. Engasgos, tosse ou chiado

  4. Arquear o corpo durante as mamadas (Síndrome de Sandifer)

  5. Vômitos em grande quantidade

  6. Sangue no vômito ou fezes

  7. Falha no ganho de peso

  8. Vômitos verdes, amarelos ou jato persistente

  9. Regurgitação que começa após 6 meses ou não melhora até 12 meses

bebê chorando

O que causa refluxo nos bebês?

Alguns motivos são naturais, como a imaturidade do esfíncter esofágico, estômago pequeno, mamar em grandes volumes, muito ar engolido durante a mamada ou até mesmo a posição deitada por muito tempo. Já outras causas, menos comuns, podem ser:

  • Alergia à proteína do leite de vaca (APLV)

  • Uso de fórmulas inadequadas

  • Malformações anatômicas (bem mais raras)

O que a mãe não pode comer quando o bebê está com refluxo?

Não existe nenhuma recomendação científica para cortar vários alimentos sem necessidade. Somente se for o caso do bebê que mama exclusivamente no peito e apresenta sintomas persistentes, que fazem pensar em alergia alimentar, pode ser necessário investigar e testar a exclusão de leite de vaca da dieta materna por 2 a 4 semanas, mas somente quando houver indicação clínica.

Qual fórmula devo dar para meu bebê com refluxo?

preparando fórmula para bebê

A escolha da fórmula para um bebê com refluxo deve ser sempre individualizada e feita em conjunto entre pediatra e nutricionista, considerando o quadro clínico, o ganho de peso, a presença ou não de alergias e a resposta do bebê às mamadas.


Em casos de refluxo fisiológico que é a situação mais comum, muitas vezes optamos por uma fórmula espessada (AR) para reduzir as regurgitações visíveis.

Como tratar o refluxo? (O que realmente funciona)

O tratamento do refluxo em bebês começa sempre pelas medidas simples, porque na maioria dos casos o refluxo é normal e melhora sozinho com o amadurecimento.


Antes de qualquer remédio, ajustamos a rotina de alimentação: cuidar para que o bebê não tome mais leite do que precisa, garantir uma pega adequada, fazer pausas para arrotar e conduzir as mamadas com calma. Em bebês que usam fórmula, às vezes é útil trocar para uma fórmula espessada (AR), que reduz as regurgitações visíveis.


Quando existe suspeita de alergia à proteína do leite de vaca, podemos testar fórmulas especiais ou orientar a mãe a retirar temporariamente o leite de vaca da própria dieta, sempre com acompanhamento. Já os medicamentos, como omeprazol, quase nunca são necessários em bebês pequenos e só são indicados quando há sinais claros de doença, como esofagite comprovada ou dificuldade de ganhar peso.


Para a maioria das crianças, o tratamento é basicamente acompanhar, ajustar pequenos detalhes e tranquilizar os pais.

Conclusão

O refluxo em bebês é, na grande maioria das vezes, normal, temporário e não traz prejuízos. Logo, com orientação adequada, ajustes simples e acompanhamento profissional, os sintomas melhoram muito, e sem necessidade de medicamentos.

Se houver sinais de alerta, falha no ganho de peso, dor importante ou suspeita de alergia, aí sim deve ser avaliado mais profundamente.


O mais importante: cada bebê é único, e o tratamento deve ser sempre individualizado, gentil e baseado em evidências.

autora do texto

Isabela Barros

Nutricionista (CRN 3 88910) e mestranda na área de Saúde da Criança e do Adolescente pela UNICAMP. Atua com foco nos primeiros 1000 dias de vida, oferecendo atendimentos particulares aprofundados e específicos para gestantes, crianças e famílias em fase de introdução alimentar. 

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Comentários

Excelente matéria!

Rosinia Bentkoski

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