Sementes fonte de fibras

A conexão entre intestino e energia e o que os hormônios não explicam

Autor: Larissa Ayumi Kikuchi

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Tempo de leitura: 7 min

Introdução

Você dorme, tenta se alimentar bem, mantém uma rotina de exercícios, mas ainda sente que sua energia não acompanha o ritmo do seu dia?


No nosso dia a dia agitado, especialmente após os 35 anos, muitas vezes ignoramos os sinais que o nosso corpo envia, tratando cansaço, inchaço ou falta de foco como "coisas normais da idade", mas existe outro ponto que merece atenção: o intestino.

A ciência mostra que o intestino, cérebro, sistema imunológico, metabolismo e hormônios estão em constante comunicação. E essa comunicação ocorre por vias neurais, hormonais, imunológicas e por moléculas produzidas pelas próprias bactérias intestinais.

Intestino e cérebro conversam constantemente, por vias neurais, hormonais, imunológicas e metabólicas.

A microbiota utiliza componentes da alimentação, especialmente fibras, para produzir metabólitos com efeitos no organismo.

Hormônios são importantes, mas não atuam isoladamente: alimentação, sono, atividade física, metabolismo e saúde intestinal fazem parte do mesmo sistema.

O que é o eixo intestino-cérebro?

O eixo intestino-cérebro é a comunicação constante entre o intestino e o cérebro. Essa conexão envolve o sistema nervoso, os hormônios, o sistema imunológico e a microbiota intestinal, podendo influenciar funções como digestão, apetite, humor e metabolismo. E essa comunicação acontece nos dois sentidos.

O cérebro influencia o funcionamento do intestino, basta pensar em como o estresse pode alterar o trânsito intestinal. Ao mesmo tempo, o que acontece no intestino também envia sinais para o cérebro.


Por isso, quando falamos em saúde intestinal, não estamos falando apenas de evacuar bem ou não sentir inchaço. O intestino participa de uma rede muito maior, que conecta alimentação, microbiota, metabolismo e cérebro.

E onde entra a energia?

A alimentação fornece energia diretamente, mas também fornece substratos para a microbiota intestinal. As bactérias utilizam parte desses componentes e produzem diferentes moléculas, que podem participar da comunicação entre o intestino e o restante do organismo.

Um exemplo são os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como acetato, propionato e butirato, produzidos principalmente pela fermentação de fibras alimentares.


Isso não significa que comer determinado alimento vai gerar energia imediatamente por meio da microbiota, mas mostra que aquilo que colocamos no prato pode influenciar não apenas nosso aporte energético, mas também o ambiente intestinal e os sinais produzidos por ele.

O intestino produz serotonina?

Sim, grande parte da serotonina do nosso corpo é produzida no intestino.


A serotonina é uma substância que participa de várias funções do organismo. No intestino, ela ajuda, por exemplo, a regular os movimentos intestinais e a comunicação entre o intestino e o sistema nervoso, e é por isso que existe uma relação tão interessante entre intestino e cérebro.

Quando falamos em eixo intestino-cérebro, estamos falando justamente dessa comunicação constante entre os dois. E ela acontece de várias maneiras, o intestino envia sinais ao cérebro por meio do nervo vago, por substâncias produzidas pela microbiota e por outros sinais relacionados à alimentação e ao sistema imunológico.


De forma simplificada, pense no intestino como uma espécie de central de comunicação.

Aquilo que acontece ali não fica necessariamente “preso” ao intestino, o organismo recebe esses sinais e responde a eles de diferentes formas. E é justamente por isso que alimentação, microbiota, sono, estresse e estilo de vida podem fazer parte da mesma conversa.

Como a microbiota pode influenciar a disposição e o metabolismo?

mulher com a mão na barriga

A microbiota intestinal produz uma enorme variedade de metabólitos a partir dos componentes disponíveis no ambiente intestinal. Entre eles estão os ácidos graxos de cadeia curta, derivados principalmente da fermentação de fibras alimentares.

O butirato, por exemplo, é um importante metabólito produzido por determinadas bactérias e exerce funções locais no intestino, além de participar de mecanismos relacionados à imunidade e ao metabolismo.


Portanto, a microbiota é um ecossistema e o contexto também importa, entre os aspectos estão:

  • Diversidade alimentar
  • Quantidade e tipos de fibras
  • Padrão alimentar
  • Atividade física
  • Sono
  • Medicamentos
  • Idade
  • Doenças
  • Genética
  • Ambiente

O que a alimentação tem a ver com a microbiota?

Mulher comendo salada em prato branco

A alimentação é um dos principais fatores modificáveis que influenciam o ambiente intestinal. Fibras, frutas, verduras, legumes, leguminosas, cereais integrais e outros alimentos vegetais fornecem substratos utilizados pela microbiota.


A verdadeira saúde começa quando entendemos como o corpo processa o que comemos. Em vez de dietas restritivas que esgotam nossa energia ou produtos ultraprocessados disfarçados de "saudáveis", o segredo está em fornecer ao corpo compostos bioativos, fibras e nutrientes que ele reconhece e sabe utilizar em uma matriz alimentar complexa. 


Além disso, a OMS recomenda uma alimentação diversificada, baseada em diferentes grupos alimentares e com presença de frutas, vegetais, leguminosas e cereais integrais. Para adultos e crianças acima de 10 anos, recomenda pelo menos 25 g de fibras por dia.

Por que as fibras são tão importantes para o intestino?

As fibras ajudam a manter o funcionamento intestinal adequado e também podem servir de alimento para diferentes microrganismos da microbiota. Uma alimentação rica em fibras está associada a diversos benefícios para a saúde.

Durante muito tempo, as fibras foram lembradas principalmente quando alguém tinha prisão de ventre, hoje sabemos que sua importância vai muito além.

Uma alimentação adequada em fibras está relacionada à saúde intestinal e também integra padrões alimentares associados à saúde cardiovascular e metabólica.

O que acontece com as fibras dentro do intestino?

Quando consumimos alimentos ricos em fibras, parte delas chega ao intestino grosso. Ali, dependendo do tipo de fibra, podem ocorrer diferentes processos.


  • Ajudam no trânsito intestinal: elas podem aumentar o volume das fezes e contribuir para um funcionamento intestinal mais regular.
  • Fermentadas pela microbiota: as bactérias utilizam determinados tipos de fibras como fonte de substrato. Esse processo pode produzir os chamados ácidos graxos de cadeia curta, incluindo o butirato.
  • Ajudam na saciedade: determinadas fibras podem aumentar a sensação de saciedade, especialmente quando fazem parte de refeições equilibradas.

E quando a alimentação não fornece fibras suficientes?

Uma ingestão insuficiente de fibras pode dificultar o funcionamento intestinal e reduzir a oferta de substratos para a fermentação realizada por determinadas bactérias da microbiota.


Quando a rotina alimentar não consegue fornecer fibras suficientes, um suplemento rico em fibras pode ser uma maneira prática de complementar a ingestão diária. Ele não substitui uma alimentação variada, mas pode ajudar a tornar o consumo de fibras mais consistente.

O que realmente importa quando falamos em saúde intestinal?

legumes, verduras e molhos sobre mesa

No fim das contas, cuidar do intestino não precisa ser complicado. Não é necessário eliminar dezenas de alimentos, fazer uma “limpeza intestinal” ou depender de um único produto.

Comece pelo básico: mais variedade alimentar, mais fibras, hidratação adequada e uma alimentação equilibrada e com densidade nutricional adequada.

Lembre-se, a consistência é mais importante do que a perfeição.

Conclusão

Quando sentimos cansaço ou falta de disposição, é comum pensar que o problema está apenas nos hormônios. Mas a nossa energia depende de uma série de processos que acontecem ao mesmo tempo e o intestino também participa dessa conversa.

É nele que ocorre grande parte da digestão e absorção dos nutrientes que o corpo utiliza para produzir energia, além de ser o ambiente onde vive a microbiota intestinal.


Quando consumimos fibras, parte delas chega ao intestino sem ser digerida e pode ser utilizada pelas bactérias da microbiota. Nesse processo, essas bactérias produzem substâncias, como os ácidos graxos de cadeia curta, que participam de funções relacionadas à saúde intestinal, ao metabolismo e à comunicação entre intestino e outros tecidos.


Por isso, cuidar do intestino é cuidar de uma parte essencial da nossa saúde. E, quando pensamos em longevidade, essa relação se torna ainda mais importante. Uma alimentação variada e rica em fibras não beneficia apenas o funcionamento intestinal, ela também contribui para um ambiente favorável à microbiota e integra um estilo de vida que busca preservar saúde, metabolismo e qualidade de vida ao longo dos anos.

Quantas fibras devemos consumir por dia?

A OMS recomenda pelo menos 25 g de fibras naturalmente presentes nos alimentos por dia para adultos e crianças acima de 10 anos.

Posso consumir fibras todos os dias?

Sim. Na verdade, a recomendação é que as fibras façam parte da alimentação habitual, e não apenas de períodos em que o intestino está funcionando mal.

Fibras podem causar gases?

Podem. Principalmente quando a ingestão aumenta rapidamente. Por isso, é interessante aumentar o consumo gradualmente e manter uma boa hidratação.

Quem deve ter cuidado com o consumo de fibras?

Pessoas com determinadas doenças ou sintomas gastrointestinais podem precisar ajustar quantidade e tipos de fibras individualmente. Nesses casos, a orientação profissional é importante.

Fibra ajuda o intestino a funcionar?

Sim. Dependendo do tipo, as fibras podem aumentar o volume das fezes, contribuir para o trânsito intestinal e ser fermentadas pela microbiota.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014.

CLEMENTE, J. C. et al. The impact of the gut microbiota on human health: an integrative view. Cell, v. 148, n. 6, p. 1258-1270, 2012.

MORRIS, A. M. et al. Dietary fiber and the gut microbiome: mechanisms and implications for health. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, 2025.

Autora do texto

Larissa Ayumi Kikuchi

Nutricionista formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pós graduada em Nutrição Clínica Estética e Nutrição Esportiva.

Ao longo da sua trajetória, acumulou experiências em diferentes áreas da nutrição, desde a clínica hospitalar até a educação nutricional. Hoje, atende em consultório com foco em qualidade de vida e performance. 

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